quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Maquina

Me deixe estrangular seus gritos com meus lábios Hamlet.
Gritas tanto que quer ser uma mulher
Como ser o que teme, Hamlet? Hamlet!
Do que quer me ver morrer?
Anda me diga...
Me olhe Hamlet, me olhe nos olhos.
Anda venha, venha comer me coração
você ainda quer quer ele, assim estragado?
Me olhe Hamlet, me olhe nos olhos.
Olhe meus seios, minhas coxas, minha virilha.
Você gosta do que vê
sim, sim. Me teme, como teme o putrefato sistema.
Mas eu tenho uma boa noticia, uma ótima noticia
vou morrer, vou morrer como seus sonhos, seus ideais
vou morrer como os sonhos de um velho revolucionário.
ser ou não ser Hamlet, essa é a questão.
O que você é Hamlet, o que você é?
O que foi? nunca ninguém se declarou assim? Eu te amo, mas não quero comer seu coração estragado.
Você ainda quer comer meu coração?
Fume Hamlet, fume, trague toda essa fumaça.
Morra de câncer.
Gosta do meu vestido? É sangue.
Desligue a TV é tudo mentira.
Hamlet, você não vai se matar
nem vai morrer. Vai viver...
viver muito, que pena a vida no silêncio.
Ande vá comer um coração novo.
Que te olha apenas na capa, que te olha como um príncipe e não como uma maquina.
Vá amar alguém a qual sua imagem ainda é pura.
Não me abrace, com essas braços fracos
não tente segurar minha vida cansada
entrego meu corpo ao rio para que ele não segure a minha vida.

(clara anastácia)

domingo, 21 de agosto de 2011

eu,

Eu, eu, eu, eu, eu
eu, eu eu
eu, eu
eu.

Fritura


Dois copos cheios.

domingo, 31 de julho de 2011

Sobre as coisas erradas.

Ele é um suicida
arrancou suas asas
não transou, nem beijou sua menina
está trancado na sua caverna de dores
e chora a partida do seu besouro.

Ele é um suicida
é uma caixa lacrada "frágil"
o tempo corre, corre e ele quer ficar.
E agarra com todos seus braços as palavras belas
acredita na beleza, coitado.

Ele é um suicida
leu sobre socialismo, astrologia, Bourdieu, Beckett, Benjamin e no fim rezou.
gosta de jogar palavras fora,
cospe tristeza, e compra lagrimas
não sabe chorar, não sabe chorar.

Ele é um suicida
e vive
e ele vive meu deus, ele quer está de pé.
Mesmo com os pés pequenos e os joelhos gastados
tenta um sorriso... Inútil, todos os dentes estragados.

[clara anastacia]


terça-feira, 5 de julho de 2011

não se sabe ser.

Estava pensando uma forma de não ser, nem saudade, nem lembrança. Uma forma de não ficar de maneira nenhuma.
Estava pensando uma forma de não ter saudade, não ter lembrança.
O que seria então?
[clara anastacia]

domingo, 12 de junho de 2011

Não limpamos aquele cantinho.

Teríamos algum tipo de liberdade, enfim?
Já não estamos de mãos dadas, e os olhares se cruzam dizendo "estou ainda"
estamos nos amarrando para que não possamos nos ouvir.
Me responda então, se está valendo pena
toda essa situação louca.
Reclama que falo bastante, mas se costuma sentir de fato as coisas
irá perceber que meus silencio é inquietante tanto quanto minha fala.

Devo confessar que depois do copo ter transbordado, quebrado em milhões de pedaços
eu me sinto livre e leve. Já sei dançar novamente!
Mas que coisa a minha, desaprender a dançar...
As cores se desorganizam novamente é sinal que você ainda está por aqui
em algum lugar do meu corpo.
sentir seu coração disparando é quase ouvir uma declaração que jamais sua boca vai pronunciar.

Estou pronta para nos dizer adeus, mas sinto que logo você o corpo que recuou não está pronto.
Então eu falo, permita-se.

[clara anastacia]