terça-feira, 9 de novembro de 2010

Silêncio ou violência?

Esse silêncio mata.
Não sei fingir que tudo está bem, bem, bem não está Richard.
Você cala todas as palavras, mas olha esse seu olhar, olha.
Ele está me dizendo tudo, tudo. E eu não posso viver para isso, e estou vivendo, pensando...
Estamos bebendo dessa mentira todos os dias
você está rindo na cara da desgraça, estamos definhando, nossa amizade amizade está acabando e nós não vamos ser os mesmos, nunca.
Rindo... estou rindo agora por nervoso, pensa que eu não percebo? Você me engole mesmo preso me engole.
Foge por que sabe que não vai dar certo, ou melhor, vai dar certo.
Estou fingindo também, estou fugindo de nós.
oh, Richard vamos nos deixar em paz para voltarmos ao que éramos.
me desculpe tantos pontos. não poderia vomitar tudo na sua face, era necessário pensar antes lembra? Pensar.

[Clara Anastácia]

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Nota sobre debate do Plínio.

Fui a um debate hoje no salão nobre do IFCS onde o tema era campanha à presidência do Plínio de Arruda Sampaio, candidato pelo PSOL. E senti que algumas pessoas ficaram encantadas pelo discurso e pela proximidade com o candidato a presidência do Brasil.
Quando o Chico Alencar abriu a mesa de debates com o seu discurso sobre a importância da juventude apoiando a esquerda, a campanha do Plínio, a luta pela reforma agrária neste cercado de terra que por algum motivo é um país e tem nome: Brasil, eu via os rostos dos companheiros que encantados, trocavam os adesivos do PT pelo PSOL, e acreditando que nós seremos os grandes realizadores da revolução!
Não devemos lutar para hoje, o tempo da história não é o nosso tempo. A gente faz a história, mas ela é contada e montada a longo prazo! Não acredito que irei ver essa revolução e não me denomino pessimista por isso, acredito que junto com meus companheiros irei abrir as portas para que ela aconteça... Afinal, acho um discurso nacionalista e suicida querer revolucionar apenas esse país.
Não vejo a revolução como transformação territorial vejo como transformação global, nada me adianta saber que alcancei meu objetivo no Brasil mas na África do norte ainda se sofre por fome, por HIV... Acredito que é gradual, e por ser gradual credito que a longo prazo e com corações e mentes voltadas para esse objetivo -a revolução- é possível.
Ainda não vejo Cuba como um exemplo socialista, me custa acreditar naquela falta de democracia mais me fomenta ver que é possível ter saúde, educação, e comida para todos! Diria que é umdos países que deu seus passos para essa tal revolução falada por Chico e Plínio, que acreditam em um mundo socialista ou seja, mais justo, feito para toda sociedade e não para uma minoria que super explora a maioria.

[clara anastacia]

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Aquele beijo de leve, com mãos, com pés, com alma...
Nunca, nunca...
Apertar bem forte a mão, para não deixar escapar!
Mas acabou voando, e não volte, quero ser eu a cair na gaiola de alguém agora!



[clara anastácia]

Saudade que mata, me mata, nos mata, te mata. mas mantém viva as lembranças...

Sinto falta da correria na grama verde, tomar banho cachoeira, comer biscoitos feito pela vóvó, da blusa de elefante e de colo. Sinto falta dos cachos loiros e dos olhos verdes, da mão que vinha me ninar, desse proteção que só a moça sabia dar. Sinto falta de fazer bixinho e de ir dormi alegre, de acordar cantando, de ter tempo para dançar sozinha essas musicas de filmes infantis -tão babaca!
Eu sinto.

[clara anastácia]

Bateria , confete e falsas fantasias.

Hoje o bloco não saiu
a baiana chorou, chorou
lá no Pelourinho uma cuica gritou
gritou a dor de amor que se acabou.
Agora o tempo marca, o compasso da desilusão
de um amor que hoje não é nada
mas já magoou demais esse coração.
Eu pedi aos deuses do Carnaval
um outro amor, um outro bem...
mas não veio, não vem...
E meu cavaco canta a dor e pede ao meu Orixá
que a solidão que em mim habita, prometa que um dia vai passar!

[clara Anastácia]

Adeus da inocência.

Eu acreditava em tudo, quase!
Eu acreditava que seria bailarina
e iria embora com o circo
ou qualquer trupe mambembe.

Acreditava em fadas e bruxas...
eu, eu um anjo sem asas
que acreditava fazer o bem a todos
só fui deixando todos cheios de mim.

Eu que acreditava na inocência
agora, uso o batom vermelho da Geni.
Poesias belas, cheias de amores
agora cheiram os poemas de Bodeler
Hoje acredito no grito, na lágrima
nesse cheiro de tristeza que sai dos lençóis.
na grama seca, em vestidos rasgados...
acredito que um homem, é só um homem e mais nada.

[clara Anastácia]

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Raiz vermelha.

O senhor que é dono do campo, que se diz dono do campo.
Que paga com fome, suor e dor todos que da terra cuidam
terra verde de raiz vermelha, terra que está meu avô, meu pai.
Hoje quem cuida da terra, dela nada tem!
Calaram, calaram alguns mortos de fome, alguns homens de terra
maratam aqueles que tem pés na terra, homem branco, preto, amarelo.
Eram fora da trilha, pobres demais para ter importancia.
E agora, mortos, repousam nas suas terras lembrados como homens errados
fanaticos, biatos, todos apagados, a fogo, a fome, a bala, a faca.

Mas a história não se apaga!
Escondem, brincam de esconde-esconde com a história
e nessa de se esconder alguns meninos que muito viam e muito queriam fazer
descobrem a história vermelha e crua.
Na beleza da grama verde e dos pés de café
a dor de um tal Antônio, que foi atrás de terra e nela foi enterrado.
Agora que tudo é agua, mar de lagrima derramada.

É... Terra para quem não sabe tocar a terra!
É assim que vamos continuar a história?
E a tal da reforma agraria? Aqui ainda não passou... Vai passar? Não vai passar?
Enquanto isso me entopem de veneno, em formato de fruta e legume.
Poderia dizer que o dinheiro hoje vale uma vida, mas a vida já não vale nada...
E o que a gente faz?
E o que a gente faz?
E o que a gente faz?
A gente cala.

[clara anastácia]